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Desde que abriu capital, as ações da startup americana dobraram de valor em uma aposta dos investidores na digitalização do mercado de seguros

A startup americana Lemonade abriu capital na quinta-feira (2) marcando o primeiro grande IPO após o início da pandemia do novo coronavírus. Após captar mais de 300 milhões de dólares no processo, a companhia viu suas ações mais do que dobrarem de valor desde o badalar dos sinos de Wall Street.

Avaliada no início desta segunda-feira em 3,8 bilhões de dólares, a startup tinha valor de mercado de 1,6 bilhão de dólares após a abertura de capital. As ações que foram vendidas inicialmente por 29 dólares – acima da previsão máxima de 28 dólares – agora são negociadas por quase 70 dólares cada.

Fundada em 2015 por Daniel Schereiber e Shai Wininger, a companhia que atua na área de seguros é uma das principais apostas de investidores como SoftBank, Allianz e Sequoia Capital. O banco japonês de Masayoshi Son, por exemplo, aportou mais de 300 milhões de dólares na operação americana. Com o dinheiro, a companhia impulsionar sua expansão pela Europa.

A aposta também se dá no mercado de seguros. As insurtechs, como são chamadas as startups que atuam neste ramo, devem captar 2,7 bilhões de dólares em investimentos em 2025. Para efeito de comparação, este mercado movimentava apenas pouco mais de 300 milhões de dólares em 2013, conforme dados da consultoria ResearchAndMarkets.

“O sucesso da abertura de capital da Lemonade mostra uma nova geração de operadoras de seguros digitais que chegaram ao mercado”, disse Michael Yang, sócio da Omers Ventures, para a Forbes. Segundo o executivo, a companhia se destaca em relação aos competidores tradicionais por ofertar uma nova forma de interação com os consumidores evitando os canais tradicionais e apostando em tecnologias como inteligência artificial.

Uma das primeiras empresas a digitalizar todo o processo de compra e venda de seguros nos Estados Unidos, a Lemonade foge do modelo de negócios tradicional de suas rivais e incentiva seus clientes a manterem uma taxa baixa de sinistro. A companhia diz que doa 40% dos prêmios para caridade. O site The Real Deal, por sua vez, afirma que o percentual varia entre 2,7% e 3,5%.

Pode azedar

Mesmo assim, continua sendo uma aposta de risco e segue o script de outras startups bilionárias com contas deficitárias. Em 2019, a empresa faturou 63,8 milhões de dólares, mas teve prejuízo de 108 milhões. A mesma coisa já havia acontecido em 2018, quando a receita foi de 21,2 milhões de dólares e as contas somaram 52 milhões de dólares.

Fechar as contas no vermelho não é um problema já que o dinheiro pode estar sendo realocado para expandir as operações. O problema é quando não há uma previsão para tornar o negócio lucrativo. Em seu prospecto de abertura de capital, a startup não deu uma previsão de quando pretende pintar seus números de outra cor.

No modelo de negócios da companhia, a intenção é multiplicar a receita por 10 durante próxima década. Isso significaria fazer com que a maioria de seus clientes, que têm cerca de 30 anos de idade e gastam 60 dólares por ano com seguros, passem a gastar anualmente algo em torno de 600 dólares com a seguradora. Não será uma tarefa fácil.

São fatores que fazem com que nem todo mundo esteja tão empolgado assim com a startup. Presidente da tradicional seguradora americana Thorson Insurance, Miles Thorson admitiu ao The Real Deal que o setor precisava se modernizar e poderia ser mais eficiente com o uso da tecnologia, mas talvez não se isso signifique que perder dinheiro para ser disruptivo.

Fonte: Exame.com